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Os contos de
fadas foram criados no século XVII pelos franceses. Mas, antes disso havia
contos de tradição oral, sobretudo no Centro da Europa, que buscavam elementos
ao mito, às tradições religiosas, simbólicas, à literatura antiga, à medieval.
Contos estes, que foram se desenvolvendo e constituindo em narrativas. No
entanto, os contos de fada mantêm uma relação com a tradição oral devido o fato
de que foi a partir das narrativas orais que os contadores de histórias, como
Charles Perralt, resolveram reescrevê-las, tornando-as assim, em contos de
fada. Assim, passou a ser uma forma de cultura elaborada e deixou de ser uma
mera literatura oral cultivada e transmitida, sobretudo pelas populações
rurais, tornando-se uma cultura de salão uma vez que se tornou algo restrito à
classe dominante devido ao fato de saberem ler e escrever, logo eles eram
capazes de reproduzir as narrativas orais por escrito. Os contos apresentam
características puramente oral, que tem a ver com eventos locais que são
fantasiados e contados como histórias fabulosas e com as narrativas populares,
que aglutinam imaginários religiosos e simbólicos, cristãos e pré-cristãos,
mitos provenientes da Antiguidade, enraizados na mitologia céltica e
greco-romana, que se constituem como narrativas autônomas não necessariamente
ligadas ao que acontece, ao que se conta de forma efabulada. Apresentam personagens
como a bruxa, a fada, animais falantes, que dão sentido a personificação das
fantasias. Em relação aos outros gêneros, o conto de fadas não apresenta uma
moral da história, como é o caso da fábula que tenta vincular uma moral, um
comportamento social, ele propõe uma descoberta ética, e por isso não aparece
com esse sentido. Os contos são de extrema importância para a infância, pois a
magia, a imaginação, o poder de dar sentido e valor às coisas fazem parte do
universo infantil. Quando a criança ler um conto ela tem a capacidade de
pensar, de viajar junto com a história. E isso, é algo que contribui
positivamente para uma infância sadia e feliz. Quando
se conta um conto de fadas, a narrativa provoca efeitos na criança. A tensão
aumenta, e depois segue-se uma solução e a criança experimenta o alívio, por
exemplo. Quando uma criança ouve com atenção o verdadeiro conto de fadas, tudo
nela acompanha o conto: a acuidade neuro-sensorial, o ritmo cardíaco, a
respiração. Nesse sentido, o conto desempenha uma função muito estimulante e
integradora. A criança descobre possibilidades de enfrentar o seu medo como uma
coisa natural devido às experiências que ela descobre, por exemplo, lidar com a
morte que é muitas vezes retratada nos contos de fada de modo que ela perceba
que a realidade muda continuamente e que é possível lidar com isso, como também
incentiva a criança a buscar desde cedo o amor pela leitura, porque quando ler o conto de fadas ela também aprende os
significados das palavras, tornando assim uma leitura prazerosa incentivando a
mesma a refletir sobre o que está lendo e a compartilhar com outras crianças o
prazer que a mesma está sentido. Assim, torna-se essencial que o adulto reserve
um tempo para contar uma história para as crianças e que essa cultura não seja
perdida e sim passada. Desse modo, a mediação entre os contos e as crianças
deve ser uma troca de experiências onde a criança aprecie uma leitura e consiga dar vida aos
personagens de modo que ela entre na história, que vivencie momentos, que sinta
sensações e que ela possa recriar a narrativa. Elas devem imaginar a sua bruxa, o
seu gigante, o seu lobo, a sua noite, o seu dia, a sua lua, os seus medos, a
sua coragem. E sentir prazer de ler e querer ouvir outras histórias. Contudo,
através dos contos de fadas as crianças descobrem um mundo de possibilidades,
imaginando as coisas boas que a vida oferece, como também ela aprende a lidar
com os seus dessabores, pois os contos de fadas querendo ou não fazem sentido para a vida das pessoas, pois forma
um ser humano alegre, sonhador, reflexivo, perseverante e que no fundo consegue mudar o mundo, carregando dentro de si a fantasia de um mundo melhor cheio de emoção e magia, fazendo com que a criança que exista dentro dele nunca morra.